O Ponto de Cultura – Projeto Brincarte, da Associação Popular de Moradores das Vilas Gammon e Francisco Roberto, oferece oficinas de iniciação artístico-cultural durante todo o ano sem custo à comunidade, atendendo especialmente crianças e jovens e possibilitando o surgimento de grupos de música e de teatro, como o Trupe do Trupé. Além disso, o Ponto promove na cidade de Paraguaçu Paulista uma série de apresentações artísticas, fomentando a formação de público.

Leia abaixo os depoimentos dos artistas da Cia. Cênica sobre este encontro.

Depoimentos

 

DEPOIMENTOS DA EQUIPE INTEGRANTE DO PROJETO

Sabiás do Sertão: de Ponto a Ponto

 Ponto de Cultura Brincarte

 30 e 31/maio/2015

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CÁSSIA HELENO

Sertões!!??

E assim vai se encerrando a nossa circulação-Proac. De cidade em cidade, de população em população, de ser tão em ser tão.

A cada ida e vinda sempre no meio do caminho percorrido ficam aprendizados, saberes, sabores, alegrias, tristezas, emoções e encantamento, cada uma de um jeito seu de ser.

Em Paraguaçu Paulista não foi diferente, ou seja, mais um aprendizado-troca e mais uma satisfação de fazer o que amamos fazer; a paz adquirida não tem preço. Como é gratificante ver a arte surgindo de crianças-jovens talentosos com o mesmo objetivo, viver de arte com arte.

Com olhos marejados trocamos saberes, com histórias e estórias vivi momentos inesquecíveis-emocionantes; dizem que precisamos dar corda no relógio da nossa vida para que as coisas aconteçam. A vida é assim… Há tanto encontro e desencontro que o que tem que ficar fica, no meu ser tão, no seu ser tão, nos nossos sertões… Na nossa memória!!!

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CLARA RONCATI

O mecenas- s. m. 2 núm.- protetor das letras e dos sábios. Boa definição do Aurélio para Reginaldo Galhardos em sua função de vida.

Porque tocou minha alma há tempos. Porque a TRUPE DO TRUPÉ me deixou sem tripés no rever a arte, de cantar, de interpretar, de viver. Não existem metáforas suficientes para compor as canções tocadas, literalmente e em nossas almas.

Reviver, transviver. Encerramos o PROAC com as águas com que abrimos, mas desta vez elas eram de tocar a alma do silêncio, do repensar o teatro: para quem, pra quê e por quê?

Sendo este o final, a chuva nos presenteou como lágrimas. De alegria do aprender e saudades do que faltou viver, do que não dá para esquecer.

Encerro este como iniciei nosso sabiás, porque acho que cabe, porque assim senti:

As luzes luzem, a alma transcende,

é o  povo e a gente,

História de amor, de riso e de dor,

Resgate rasgando o que pra trás foi ficando.

O coração embranquece

em lentidão descoberto.

Num repente de lembrança,

a dança, a confiança, a música fazendo trança…

Esperança.

Entrando.

Estando.

Estranho.

Entranhas.

Obrigada Paraguaçu, Estância, por terem estado, tão somente em nossas vidas. Obrigada parceiros cênicos, a cena ficou sendo cena. Mecenas.Mais cenas.

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FAGNER RODRIGUES

A última cidade de uma circulação maravilhosa foi uma experiência de vida. Orgulhoso eu começo a escrever, ufa conseguimos! Em Paraguaçu Paulista nossa última cantoria dessa circulação Proac, e que cantoria, uma molecada boa que só. A Cia Cênica já é figurinha carimbada, participamos de longos anos do festival de teatro, e adoramos estar lá, foi o primeiro prêmio do espetáculo em um festival, e esses motivos foram determinantes na escolha da cidade, confesso não tinha referência sobre o que era o ponto de cultura de lá, e agora digo que foi  uma das grandes surpresas dessas andanças, é um ponto de cultura genuíno, com envolvimento de todos, fincado na periferia da cidade, em uma vila com o carinho de todos que o cercam, cheio de crianças, que estavam ali entregues, brincando, Brincarte, sim a arte como brincadeira, como processo de evolução e construção de uma sociedade mais justa. Parabéns a toda a equipe que ali trabalha, em especial ao Reginaldo, pai, padrinho e palhaço de todos eles, revelador de tantos talentos, eu me senti em casa, como todas as outras vezes que ali estive, e desejo agora que muito em breve possa voltar e aprender, pois ali eu vi a arte como simbologia de felicidade e aprendizado, desde criança, não existe idade para as coisas simples, para o encantamento. Obrigado a tudo e a todos, em especial à chuva que nos acompanhou em 5 das 7  cidades, e nos levou, em uma noite fria, para um palco quente de aconchego e carinho.

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ÍCARO NEGRONI

De cara, somos surpreendidos por uma banda formada pela Trupe do Trupé composta por crianças e adolescentes inteiramente talentosos, orquestrados pelo grande Reginaldo. Melhor recepção, carinho, afetos, enfim, inúmeros adjetivos que aqui jamais caberiam, não tivemos em nenhum outro lugar por onde passamos nessa vida artista. Comovem-me observar esses novos seres humanos apreendo a ser ótimos cidadãos, pessoas de bem, de uma juventude respeitável e muito mais através da arte. Esse grande incentivo artístico cultural promovido para essa galera é altamente benéfico e com certeza é uma das chaves para uma cidade melhor, um estado melhor, um país melhor e um mundo maravilhoso. Grandes talentos existem ali e que logo, logo o mundo irá descobrir. Obrigado por tudo, pela forma com que nos receberam e nos acolheram. Reginaldo, você é fod*%&@;’… Parabéns para todos.!!!

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NETO CHIACCHIO

Parece até memórias inventadas o que levarei pra sempre comigo, de lembranças dos sete. Acho que faço agora coisas que não pude fazer na infância em meados dos sete.

Sete sabiás de cantos diferentes, com a diferença de cantarem o mesmo canto que encantou.

Sete cidades de cores diferentes, que se fundiram uma após a outra, de cores que se definiam em peculiaridades significantes, mostrando-se fortes, sem mostrarem medo e certo temor em perder o que vem se perdendo por aí á fora, quando se soa “popular”.

Pedir mais sete? Creio que fornecer ”um” dos sete, para que um dos sete faça sete, nós vos recebamos como parte de seus merecidos sete. “Sonho da procriação, pra todos fazedores de nossa linguagem desejo-lhes breve sete em infinito agradecimento pela passagem de um dos”.

Sete mudanças

Sete passarinhos em Sete pontos

Sete toques de sete cores misturadas

Sete noites “abertas”

Sete noites “fechadas”

Boa nova ao povo, aos poucos

Sete cordas do Zé, sete cafés

Sete casinhas brancas, sete buquês com mais sete

Sete luas encantadas com sete estouros de pipocas

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SIMONE MOERDAUI

Fim da linha.

Os carros vão parando no vagar. Nem se sente o atrito com os trilhos. Ninguém nos espera na plataforma, a não ser nós mesmos e o silêncio.

Ainda posso sentir a força dos que se põem do avesso pra não deixar que desafinem os instrumentos, as vozes, os movimentos e os corações de crianças e jovens multiartistas. A grandeza de Reginaldo e seus pares! A sorte dessa meninada em ter como mestres gente que sabe o que é bom e que navega pelo mar da delicadeza sem o menor esforço ou pudor. Tantas vezes já os encontramos e tantas vezes nos encantaram como plateia, técnicos, criadores, artistas!

O que mais, senão agradecer por terem nos acolhido tão carinhosamente na última parada deste trem que, certamente, prossegue em nossos espaços-tempos invisíveis, mas completamente tangíveis, e que nos coloca em confronto com nós mesmos, o que somos, pensamos, sentimos, fazemos?

O silêncio está repleto.

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VANESSA PALMIERI

A proposta do projeto era conhecer os sertões por onde passaríamos. Qual foi minha surpresa ao perceber que quanto mais eu olhava para fora, para as pessoas a minha volta, mais me reconhecia e mais me conhecia. As viagens pelos diferentes sertões do nosso estado, me fez viajar pelo meu “ser tão”, pelo meu interior. E isso é o que trago de mais valioso deste projeto. A mudança que trago em mim. O brilho de todos os olhares de quem cruzei ao longo das sete cidades.

Sete, o número da Criação. E é também o número que indica a relação viva entre o divino e o humano. Não poderia ser um número melhor para nossa circulação. E nem me permito pensar que foi uma simples coincidência escolhermo-los.

Paraguaçu. Terra dos queridos “brincantes” do Ponto brincarte que cantam suas histórias de maneira genuína, embebedando e alimentando os corações de todos os espectadores. E nos embebedou!

Como não poderia ser diferente, a Trupe do Trupé tem na veia a arte, a verdade nos olhos e pássaros na boca. Tão verdes e tão enraizados, maduros e felizes no que fazem. O que afinal é o que importa, e talvez esse seja o segredo do sucesso, fazer o que ama!

Esse caminho que escolhemos não é tão fácil e nem tão difícil, como qualquer outro caminho que escolhermos. O que mudará e fará com que tenhamos força, será nossa vontade e coragem de permanecer nele.

E assim de galho em galho, nós vamos fazendo o nosso ninho, com bastante experiência, sorrisos, lembranças, músicas e histórias que trouxemos na mala de cada uma destas cidades e de cada Ponto de Cultura e parceiros. Nossa mala está cheia, assim como nossa alma.

Obrigada a todos que caminharam junto conosco nesta circulação!

“O que vale na vida não é o ponto de partida e sim a caminhada.” Cora Coralina.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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